quinta-feira, 28 de maio de 2009

Escrita maravilhosa... Leia, vale a pena!

DO QUE É FEITA A CORAGEM

Em tempos de globalização, abertura de mercados, fronteiras e costumes, ainda nos deparamos com medos medíocres. Medos que paralisam. Medos que por vezes nos contaminam a todos.
Por hora falo do medo do engajamento no movimento social e popular de greve.
Medo que faz com que pessoas inteligentes, dinâmicas e donas do seu destino permaneçam à margem de um processo conquistado a tão duras penas, ou diria a tão “ditaduras” penas.
Para quem não conhece ou mesmo não se lembre o processo de democratização do nosso país foi conquistado com muita luta. Luta de pessoas anônimas, que entregaram suas vidas, seus corpos, seus sonhos e seus futuros para o bem de todos nós, que vivemos o hoje sem a mínima noção do que estas pessoas sentiam quando eram presas, torturadas e silenciadas para sempre. Com certeza sentiam muito medo. Medo da morte. Medo das dores. Medo dos passos que se aproximavam de suas celas. Medo das vozes de seus algozes. Medo do escuro. Medo por não saber se viveriam nas próximas horas. Medo por não saberem se conseguiriam viver depois de toda tortura sofrida em cativeiro.
Falo deste tempo porque não nos é permitido esquecer este fato que ocorreu tão recentemente. Falo de um marco histórico feito por homens e mulheres que decidiram de que lado estavam. Eles escolheram o lado de quem não se cala, de quem não acha que a vida é sempre a mesma. Pagaram o preço por fazerem esta escolha. Muitos pagaram com suas vidas.
Com certeza, toda vez que escolhemos um lado escolhemos seus riscos, suas derrotas e suas vitórias.
É por lembrar deste fato que sinceramente acredito que nossa coragem de hoje foi sendo construída ao longo de uma história cheia de medos reais. É por isso que não podemos nos esconder atrás de medos egoístas de nossas vidas particulares e devemos participar ativamente da construção da democracia nesse país, sem achar que mobilizações como a que estamos vivendo não fazem a menor diferença e não tem nenhuma importância. Digo, ainda hoje há luta de classes! O lado dos que produzem riqueza e dos que simplesmente usurpam desta riqueza. De que lado você está? Os poderosos apostam nos medos individuais para que consigam manipular melhor a força dos que não se decidem pela luta.
Participe! Tenha fé! Venha mesmo com seu medo e juntos construiremos um mundo cheio de coragem. A greve é direito constitucional conquistado por homens e mulheres comuns, que sentiam medo, mas que arriscaram ir além. A coragem para mudar o mundo é construída com os medos e com a força de cada um de nós. A sua contribuição fará toda diferença!!!

Profª Giselle

Texto enviado para nosso e_mail: greveservidorescampinas2009@gmail.com

7 comentários:

Tania disse...

Giselle,

Seu texto acordou em mim um poema de Drummond que, de igual forma- impactante e inquietante- não nos deixa no mesmo lugar...

"Congresso Internacional do Medo"

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade

Cleidinha disse...

MUITO BOM!
PRECISAMOS DE MUITOS TEXTOS DESSE TIPO! OBRIGADA!

Água na peneira... disse...

Giselle e colegas,
Seu texto nos ensina sobre a nossa 'história oficial', vivida até bem recente, como você mesma diz.
E porque, desse período que você cita, ainda há indícios das notas musicais que a dor compôs, é que temos que lutar para que essas conquistas não se despedacem.
Muito mais do que nos ensinar, nos convocar, nos evocar a sujeitice nessa história, seu texto é a própria lição de quem está, seguramente, FAZENDO A HISTÓRIA.

Etel Rogge disse...

Oiê Giselle,
Seu texto me fez relembrar a música Zé Geraldo, Milhos aos pombos:

Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí
Queimando pestanas
organizando suas batalhas
Os guerrilheiros nas alcovas
Preparando na surdina suas mortalhas
A cada conflito mais escombros

Isso tudo acontecendo
E eu aqui na praça
Dando milho aos pombos
(Bis...)

Entra ano, sai ano,
Cada vez fica mais difícil
O pão, o arroz, o feijão, o aluguel
Uma nova corrida do ouro
O homem comprando da sociedade o seu papel
Quando mais alto o cargo maior o rombo

Isso tudo acontecendo
E eu aqui na praça
Dando milho aos pombos
(Bis...)

Eu dando milho aos pombos
No frio desse chão
Eu sei tanto quanto eles
Se bater asas mais alto
Voam como gavião
Tiro ao homem tiro ao pombo
Quanto mais alto voam maior o tombo

Eu já nem sei o que mata mais
Se o trânsito, a fome ou a guerra
Se chega alguém querendo consertar
Vem logo a ordem de cima
Pega esse idiota e enterra
Todo mundo querendo descobrir
Seu ovo de Colombo

Isso tudo acontecendo
E eu aqui na praça
Dando milho aos pombos

"Todos juntos somos fortes" disse...

Adorei o seu texto! Ele nos ajuda a enfrentar as dificuldades enfrentadas nessa situação que estamos vivendo...
Lourdinha

"Todos juntos somos fortes" disse...

Adorei o seu texto! Ele nos ajuda a enfrentar as dificuldades enfrentadas nessa situação que estamos vivendo...
Lourdinha

Rachel disse...

Parabéns pelo lindo e sensível texto.
Obrigada pela colaboração nesse momento de luta.
Rachel (OP Ed. Infantil)