Este blog foi criado para que todos os servidores municipais de Campinas em greve, como todo aquele que desejar dar sua opinião, tirar dúvidas e ficar mais informado sobre o que está acontecendo com a luta dos trabalhadores da Prefeitura de Campinas em 2009, possa fazê-lo. E_mail: greveservidorescampinas2009@gmail.com
A greve dos servidores municipais da cidade de Campinas (SP) completou 14 dias nesta terça-feira (02). Para compensar as perdas da inflação, os trabalhadores exigem pelo menos aumento salarial em 7% e 11% de aumento real. Eles receberam com indignação a proposta da prefeitura, que ofereceu reajuste de pouco menos de 6%, pagos em parcelas - 3% em junho e o restante no final do ano.
Para o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público de Campinas (STMC), a proposta é vexatória. O coordenador do Sindicato, Marionaldo Fernandes Maciel, afirma que o reajuste pago em parcelas significa um achatamento salarial.
“Os trabalhadores estão resistindo à proposta que o governo apresenta porque é um rebaixamento salarial. O [prefeito] Hélio teve 56% de reajuste no seu salário, de seus secretários e de sua esposa que é chefe de gabinete. Isso deixou o trabalhador indignado, eles não acreditam nesse governo.”
O prefeito Doutor Hélio de Oliveira (PDT) alega que o reajuste no salário dos trabalhadores é inviável, mesmo com o aumento da arrecadação municipal em 13% no último ano. Segundo ele, o reajuste exigido estoura o limite sugerido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, com os gastos na folha de pagamento.
Os trabalhadores aceitam negociar os 11% de aumento salarial, mas não abrem mão dos 7% de reposição da inflação. O índice oferecido pela prefeitura não cobre a inflação até o final do ano e não será incorporado no décimo terceiro salário.
Em assembleia nesta terça-feira (02), os servidores decidem os próximos passos do movimento.
De São Paulo, da Radioagência NP, Aline Scarso. (02/06/09)
Aproveitando o recado da colega Mari, o nosso blog traz mais uma música.
Nossa interpretação sobre esse governo continua ganhando cada vez mais ganha eco na cidade.
Essa greve é o começo da luta. Como disse a Mari em mensagem, a categoria é forte demais. Pelos próximos anos, estaremos juntos lutando por um serviço público de qualidade e pela nossa valorização profissional e lembrando a população da conduta dessa administração e do tratamento que nós servidores estamos tendo durante essa greve.
Essa música é uma homenagem pelo que fizemos e uma mensagem para lembrarmos que ainda temos muito o que fazer!
Não vão me matar - O Rappa
Eu não quero mais saber de sofrer não Não quero não Me contam histórias diferentes Achando que eu vou acreditar
Enganam o povo com promessas Tentando induzi-los a acreditar Que a consciência do ser humano De repente pode até falhar
Quem bate esquece quem apanha... ... quem apanha quer se vingar
Criticam essa raça tão bonita Que é capaz de agüentar Torturas, humilhações à parte Podem pisar, mas não vão me matar
Cantando a verdade, falando da vida Contando história, falando de amor Brigando com a vida, prá ser mais feliz Não vão me matar
Quero a utopia, quero tudo e mais Quero a felicidade nos olhos de um pai Quero a alegria muita gente feliz Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão Quero ser amizade, quero amor, prazer Quero nossa cidade sempre ensolarada Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil Me inspire no meu sonho de amor Brasil Se o poeta é o que sonha o que vai ser real Bom sonhar coisas boas que o homem faz E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder ? Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida Eu viver bem melhor Doido pra ver o meu sonho teimoso,um dia se realizar
Há dias penso em colegas que ainda estão nas UEs e enfraquecem colegas que aderiram ao movimento.
Há profissionais mais antigos no serviço público de Campinas e que talvez tenham vivido greves tão grandes como esta. Eu não. Vivi outras sim, por outros motivos até, como a greve contra o Plano de Cargos, a grande brecha que o governo escancarou para as terceirizações e desqualificação dos servidores. Mas sempre com poucas adesões, na luta por levar mais alguns colegas de cada unidade.
Hoje, saem comandos de greve para trazer outras Unidades! Sim, Unidades inteiras fechadas! Eu não tinha vivido isso!
Por este motivo penso: como neste momento histórico, como com tanto respaldo de um movimento feito dentro da legalidade e tão grande, ainda temos colegas trabalhando nas unidades, com tanto trabalho a ser feito, em Movimento, no Paço Municipal? Penso, se não param nessa greve, se não se manifestam desta vez... quando então?
Em uma greve que tem tanta adesão e por isso mesmo tanto assédio moral e pressões para o retorno ao trabalho, o papel cumprido por quem fica na escola e não se une ao movimento é não só de enfraquecimento da greve, como da exposição dos colegas. Quem fica na escola fica entre a ‘cruz e a espada’ na dúvida se encaminha ou não nomes dos grevistas as NAEDs, se substitui ou não colegas em greve, se refaz horário de aula, se vê na situação de ‘assinar o ponto’ sem ter alunos, tendo que repor estas aulas mesmo sem aderir ao movimento, sofre as cobranças da comunidade sem ter condições de argumentar a favor da luta... E mais não sei quantos sofrimentos (assim como nós, em greve) passa!
Não vejo como construirmos parcerias de luta pelo serviço público de qualidade com as comunidades que atendemos com metade dos professores trabalhando, outros em greve, outros que não estão em greve nem trabalhando, pois os alunos não têm comparecido às poucas aulas... Que coletivo constituímos? Penso que mais coerentes são os que apesar do medo e da insegurança presente em todo local de trabalho, decidem fechar as portas da escola e coletivamente enfrentarem a as conseqüências da luta. Como grupo enfrentarão! Na Unidade de trabalho e como parte de um coletivo maior: de servidores públicos em greve!
Que profissionais somos nós que frente a possibilidade de construirmos uma unidade de luta escolhemos a solidão e a omissão?
Lourdinha nos perguntou em outro texto postado em nosso BLOG: “Você acha que nós, profissionais da educação municipal, não temos motivos para participar desse movimento coletivo que busca lutar pela melhoria da qualidade da educação no município?”
Quem vai às ruas gritar ‘aos quatro ventos’ as más condições de trabalho que temos, a imoralidade de um governo que tem um número absurdo de comissionados que todo mês tira milhões (!) dos nossos bolsos, que qualquer trabalhador merece que seu salário seja corrigido pelo menos para que a inflação não o reduza?! Quem luta por estes direitos?
Os servidores ainda podem fazer uso do direito da greve, apesar dos jornais insistirem em argumentos contra leis que asseguram esta possibilidade. Nós ainda podemos além de lutar por direitos trabalhistas, denunciar o que vem sendo feito com o dinheiro público! Quem mais consegue fazer isso hoje?
A unidade do movimento pode abreviá-lo e podemos todos retomar aos nossos locais de trabalhos mais fortalecidos, seguros de que ainda temos força para brigar, não somente por direitos nossos, mas pela qualidade do serviço oferecido à população da cidade.
Infelizmente, tenho ouvido com freqüência a música “Comportamento geral” de Gonzaguinha por estes dias e lembrado de algumas colegas... Foi ela, tocada no rádio há minutos atrás, que mobilizou esta escrita... Não merecemos o que temos vivido!
Comportamento Geral Composição: Gonzaguinha
Você deve notar que não tem mais tutu e dizer que não está preocupado Você deve lutar pela xepa da feira e dizer que está recompensado Você deve estampar sempre um ar de alegria e dizer: tudo tem melhorado (...) Você deve aprender a baixar a cabeça E dizer sempre: "Muito obrigado" São palavras que ainda te deixam dizer Por ser homem bem disciplinado Deve pois só fazer pelo bem da Nação Tudo aquilo que for ordenado Pra ganhar um Fuscão no juízo final E diploma de bem comportado (...) Você merece, você merece (...)
Algumas pessoas gostaram da letra da música cantada por um colega e que foi apresentada no vídeo da greve. Conseguimos localizar a gravação original e trazemos aqui, para todos.
A música se chama "Subúrbio Operário" e é da banda punk "Garotos Podres".
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Somos servidores municipais de Campinas em greve que desejam trazer a conhecimento de todos os últimos acontecimento da nossa luta contra no atual governo da nossa cidade.
Para começar nossa escrita, algumas palavras de Bertold Brecht...
O Analfabeto Político "O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Nada é impossível de Mudar "Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar."
Precisamos nos organizar
Aproveitamento o movimento grevista de 2009 e já que contamos com grande parcela dos trabalhadores envolvidos com a educação pública em nosso município, realizaremos em:
Participe! Vamos discutir e construir uma proposta de ensino de qualidade para a cidade de Campinas. Após o encontro no sindicato podemos continuar a discussão em um happy hour... vamos comemorar nossos primeiros passos.
Todos juntos somos fortes!
Você acha certo o Prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, aumentar seu próprio salário em 56%, enquanto falta professoras nas escolas, médicos nos postos de saúde, as condições de trabalho do serviço são precárias?